Artigo do colunista Brunno Brugnolo veiculado no site Show de Tênis, na íntegra aqui na folha do esporte:
Há pouco mais de três semanas quando a dinamarquesa Caroline Wozniacki tornou-se a vigésima tenista a liderar o ranking da WTA – a primeira na história de seu país a ocupar tal posto, muito foi escrito e falado a respeito. Enquanto alguns desaprovaram categoricamente, outros a aprovaram com algumas ressalvas. É claro (o tal do Grand Slam que falta na prateleira da loira). Mas é fato que pouco foi dito sobre a pontuação e principalmente o entendimento do circuito feminino, que é simplesmente horrível. A pauta ficou em cima da falta de um GS e a quantidade de torneios jogados pela nova #1.
Dois anos atrás a WTA assim como a ATP implantaram um novo sistema de pontuação e nomenclatura de seus torneios, tudo para facilitar a compreensão por parte dos torcedores e fãs do tênis. A medida visava também atrair novos admiradores. O quê de um lado deu certo, de outro foi um desastre. A ATP que foi criticada pelas constantes mudanças nesse sentido, acertou em cheio com seus torneios 1000, 500 e 250 que levam no nome a pontuação máxima que podem dar. Já a WTA conseguiu andar para trás, os antigos “Tier I, II, III, IV e V” deram lugares aos torneios “Premier” e “International”. Tá e aí?
Os torneios denominados de Premier são ao todo 19 eventos, divididos entre si em três níveis diferentes de importância (pontuação e premiação). Os quatro mais importantes são os chamados “Premier Mandatory”, dão 1000 pontos a campeã e possuem 4,5 mi de dólares em premiação. São jogados em Indian Wells, Miami, Madri e Pequim. Depois vem o “Premier 5” com 900 pontos dados a vencedora e premiação total de 2 mi de dólares, jogados em Dubai, Roma, Cincinnati, Canadá e Tóquio. E por fim, mais 10 torneios de 470 pontos para a campeã e com premiação que varia de 600 mil a 1 mi de dólares. Já os “International” oferecem 280 pontos e 220 mil dólares. Acontece que essa divisão não é bem esclarecida pela própria WTA, que em seu site limita-se a dividi-los entre Premier e International, informando apenas a premiação no página do calendário de torneios. É preciso procurar em outras partes para encontrar a pontuação. Notou alguma semelhança?
Verificamos que os nove principais torneios (Mandatory e 5) se assemelham muito aos nove masters 1000 da ATP. No lugar de Xangai, Monte Carlo e Paris, temos Pequim, Dubai e Tóquio. Os demais são rigorosamente os mesmos, alguns até são disputados simultaneamente, como nos Grand Slams. As premiações se alternam do mesmo modo, mas diferentemente do que acontece no circuito masculino os torneios não são enquadrados no mesmo nível de pontuação. Por quê? Essa é a pergunta que não quer calar. Seria muito mais fácil para a compreensão de todos se a WTA adotasse um sistema simples assim como a ATP fez, inclusive para análises. Veja o exemplo a seguir: Se o sistema da WTA fosse simplificado e se aproximasse ao adotado pela ATP, teríamos Caroline Wozniacki como campeã de três eventos Masters 1000 (Montreal, Tóquio e Pequim) e vice em um (Indian Wells), além do recente vice-campeonato no WTA championships.
É claro que nada disso justifica a falta de grandes resultados nos quatro grandes eventos do ano, mas nos ajuda a ver que nem mesmo na ATP tivemos um desempenho tão bom nos principais torneios do ano fora os Grand Slams. Verdade que pode mudar, pois ainda restam o 1000 de Paris e o Finals de Londres para os homens. Wozniacki fez por onde, mas se continuar como a 1ª do mundo, para o bem dela e da WTA é bom que ao menos um dos quatro troféus mais cobiçados esteja em Copenhague ao fim de 2011.


